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O PALHAÇO NA JAULA DOS LEÕES (Wilson Macêdo Jr.)



Então é isso. Sou eu o palhaço sem graça,
Sou eu quem deixa a multidão em silêncio.
Sem nada entender, calam-se, sérios.           
 Amontoado de seres perplexos.

Sou eu o palhaço que desce a rua,
Que colhe uma flor pura e rara,                                                                               
Sou eu a escolha mais óbvia,
Sou eu esperança já desacreditada.

Sou eu o palhaço que dorme na chuva,
Que ri para o abismo e descobre-se apaixonado.
Sou eu o único traço de mim e de minhas verdades,
Sou quem sou sem querer saber onde estou.

Então é isso. Ninguém ri do que falo.
Não ouço aplausos, congratulações, confidências,
Nem simples “por favor” ou “obrigado”.
Sou eu um triste e natimorto palhaço.

E tomado de cólera inexplicável,
Atiro-me à jaula dos leões deste circo afamado.
E enquanto sou vorazmente deglutido,
Cândido descubro que sou eu a tristeza disfarçada de riso.

1 comentários:

Nada sei. Sei apenas a alma que me mostras.
Que nos teus versos se evidencia: um grande poeta, em invensão, inquietação, mas, certamente repleto de amor. E por isso acuado fica, desentende-se e se perde para, logo, reencontrar em versos assim, cheios de beleza, beleza que se chama poesia.